Por que Santa Catarina, um estado com uma das mais altas taxas de escolarização do Brasil, apresenta a menor taxa de concluintes do ensino médio público inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)? Este fenômeno curioso não é apenas um número, mas reflete uma série de nuances no sistema educacional do estado e nas práticas de ingresso ao ensino superior.
Desvendando os Dados do Enem em Santa Catarina
Os dados mais recentes referentes ao Enem 2025 mostraram que apenas 56,06% dos estudantes do terceiro ano do ensino médio das escolas públicas de Santa Catarina se inscreveram para o exame, totalizando 38.716 inscritos. Em contraste, a média nacional de inscrições é de 72%. A discrepância é ainda mais pronunciada quando observamos o estado do Ceará, que alcançou um impressionante índice de 96,78% de inscrições.
Se em 2024, Santa Catarina já apresentava uma taxa de participação de 73,48%, a queda em 2025 é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. A Secretaria de Estado da Educação (SED-SC) reconhece essa baixa adesão, mas também enfatiza a importância do crescimento no número de estudantes que concluem o ensino médio e ingressam no ensino superior.
A titular da SED-SC, Luciane Ceretta, aponta para o fato de que Santa Catarina possui uma rede robusta de instituições de ensino superior, que inclui tanto instituições comunitárias quanto privadas, as quais utilizam diferentes critérios de ingresso, não restringindo-se ao Enem. Portanto, a relação entre a participação no Enem e a entrada no ensino superior parece ser mais complexa do que um simples número de inscrições nos exames.
O Enem como Indicador da Qualidade da Educação
Embora o Enem tenha primordialmente a função de ser a porta de entrada para as instituições de ensino superior através de sistemas como o Sisu, Prouni e Fies, ele também serve como um importante indicador de qualidade na educação pública. Ceretta argumenta que é necessário desenvolver um processo de sensibilização entre os estudantes para que compreendam a relevância do exame, não apenas como um critério de ingresso, mas como uma medição da qualidade educacional.
A educação no Brasil, historicamente avaliada por meio de instrumentos como o PISA, mostra que, embora haja uma tendência de melhora na capacidade matemática dos estudantes brasileiros, a qualidade da educação pública ainda fica aquém do esperado. O papel do Enem nesse contexto é crucial, pois ajuda a mapear o desempenho dos alunos em uma escala nacional.
Os números apresentados pela SED-SC indicam que mesmo com a baixa participação no Enem, existe um fluxo crescente de alunos que estão se qualificando para o ensino superior. No entanto, isso levanta a questão sobre como as instituições de ensino podem melhor trabalhar para garantir que todos os estudantes, especialmente aqueles de escolas públicas, tenham a oportunidade de se preparar adequadamente para o exame.
- Capacitação dos Educadores: Investir na formação contínua dos educadores é fundamental para melhorar a qualidade do ensino público.
- Orientação e Apoio: Programas de orientação que ajudem os alunos a entenderem a importância do Enem e suas implicações para o futuro acadêmico.
- Parcerias Público-Privadas: Desenvolver colaborações entre escolas públicas e instituições de ensino superior privadas para ampliar o acesso e a preparação dos estudantes.
- Infraestrutura e Recursos: Garantir que as escolas públicas tenham acesso a recursos adequados e estrutura necessária para fomentar um ambiente de aprendizagem estimulante.
Reflexões Finais sobre o Futuro da Educação
É inegável que o futuro da educação em Santa Catarina depende de uma análise cuidadosa das atuais estatísticas do Enem, mas isso não deve ser encarado apenas como um motivo de preocupação. A situação oferece uma oportunidade única de redirecionar estratégias educacionais, garantindo que todos os alunos, independentemente de sua origem, tenham acesso igualitário a um ensino de qualidade e às oportunidades que dele derivam.
A diversidade na ouriginação dos estudantes que procuram instituir seu futuro acadêmico é uma riqueza que não pode ser desperdiçada. O desafio está em encontrar formas de motivar e engajar esses alunos no processo de inscrição e preparo para o Enem, assegurando que a educação pública não seja vista apenas como uma alternativa, mas como um caminho viável e desejável para o futuro.
Por fim, o próximo ciclo do Enem em 2025 se aproximando nos apresenta a chance de transformar não só as estatísticas, mas também a experiência educacional vivida pelos estudantes de Santa Catarina. É fundamental que todos os envolvidos – desde educadores até gestores de políticas públicas – unam esforços para promover um ambiente em que todos os estudantes possam florescer.
Esta é uma reflexão necessária e a hora é agora: o que estamos dispostos a fazer para garantir que a educação em nosso estado seja justa, inclusiva e de alta qualidade? O Enem pode ser uma ferramenta poderosa para se chegar a essa meta, mas isso requer compromisso e ação coletiva.
