Muitas vezes nos deparamos com informações que nos fazem refletir sobre a importância da leitura e como ela pode transformar nossas vidas. O exame ENEM 2025 abordou essa temática de uma maneira provocadora através de um cartaz publicitário da 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A questão gerou debates acalorados nas redes sociais, levantando não apenas o conhecimento textual, mas também a pertinência da arte e da cultura como instrumentos de transformação pessoal. Mas até que ponto conseguimos entender o papel da leitura na formação da identidade e no desenvolvimento cultural de um indivíduo?
A questão do ENEM: A interação entre texto e imagem
A questão do ENEM, que abordou uma frase marcante da Bienal – “Você entra Fernando. E sai Pessoa.”, instiga uma análise profunda sobre a identidade e o impacto da literatura. O cartaz não apenas traz uma frase provocativa, mas também uma imagem simbólica com referências à cultura portuguesa, como um bondinho e uma caravela. Essa relação entre o verbal e o não-verbal é essencial para compreender a mensagem central da campanha e, consequentemente, o que os organizadores desejavam transmitir ao público.
O ensino da leitura e interpretação de imagem é essencial para o desenvolvimento crítico dos estudantes. Através da análise do cartaz, o aluno do ENEM é levado a identificar a intenção dos criadores do material, fazendo uma relação entre a experiência literária e a transformação que a leitura pode proporcionar. O professor Daniel Fonseca do Curso Anglo descreveu a resposta correta da questão como sendo a opção ‘C’, que destaca o impacto da leitura na vida das pessoas. Essa afirmação ressoa fortemente, pois revela que a leitura potencializa habilidades de interpretação, análise crítica, e ainda é um veículo de transformação pessoal e social.
Mas, o que realmente significa “sair como Pessoa”? Aqui, sabemos que Fernando Pessoa é um dos maiores poetas de língua portuguesa e possui uma obra rica que explora questões de identidade, existência e a própria condição humana. Portanto, a experiência de ler não se limita apenas ao intelecto, mas se estende para as emoções e a formação da identidade de quem lê. O desafio, então, é como conectar esse processo com a vivência de cada aluno, que pode estar em um contexto completamente diferente.
A transformação pela leitura: A experiência pedagógica
Analisando a importância da leitura no ambiente escolar, torna-se evidente que o desenvolvimento de projetos que estimulem o hábito de ler pode ter um impacto positivo extremamente significativo. O ENEM, ao incluir questões que buscam essa análise crítica, torna-se um aliado na luta pela formação de uma geração mais consciente e crítica. Nesse sentido, as Bienais do Livro servem como plataformas importantes para disseminar a cultura e despertar o interesse pela leitura.
Ao visitar uma Bienal do Livro, o estudante não apenas tem acesso a uma vasta gama de obras literárias, mas também interage com diversas expressões artísticas que enriquecem sua formação. Os cartazes, que promovem essas exposições, podem ser analisados como ferramentas para instigar o desejo de se aprofundar em obras e autores que provocam reflexão e que, de certa forma, conectam-se com suas próprias vivências.
Mas por que a mensagem apresentada no cartaz da Bienal é particularmente potente? A natureza sincrética do texto — a união de elementos verbais e visuais — estimula não apenas a leitura do que está escrito, mas também a interpretação e a criação de um sentido que é pessoal e único. Quando um estudante lê sobre Fernando Pessoa, ele não está apenas se deparando com um autor, mas sim com um universo de ideias e reflexões que podem transformar sua maneira de ver o mundo.
Esta conexão direta entre a leitura e a transformação da identidade foi ressaltada pelo professor Fonseca, ao afirmar que “a leitura é tão transformadora que é impossível sair como entrou”. Faz-se, portanto, essencial que a educação se preocupe em fomentar essas experiências que vão além do simples ato de ler. Criar espaços de diálogo em sala de aula onde os alunos possam discutir suas impressões e inquietações sobre as leituras é fundamental para o crescimento deles como indivíduos críticos.
A letramento e sua importância na formação do indivíduo
Um aspecto que não pode ser ignorado na discussão sobre o impacto da leitura é a questão do letramento. Precisamos entender que a leitura é uma prática social, que deve ser estimulada desde a infância e que atravessa a vida de cada indivíduo. O ato de ler não se limita apenas aos livros, mas se expande para as interações cotidianas e permite uma compreensão mais ampla sobre a sociedade.
O problema é que nem todos têm acesso às mesmas oportunidades quando se trata de leitura e cultura. Em muitas escolas, os recursos são limitados e o incentivo à leitura pode não ser uma prioridade. Isso pode resultar em uma desiquilíbrio, onde apenas uma parte da população se beneficia das transformações que a literatura pode trazer. Assim, a reflexão que a questão do ENEM provocou nos jovens é uma chamada à ação para que haja uma democratização do acesso à leitura.
Esse tipo de reflexão torna necessário que tanto educadores quanto gestores educacionais se mobilizem para criar estratégias que promovam a leitura de forma acessível e prazerosa, começando desde os primeiros anos de formação. Projetos como clubes de leitura, atividades interativas e visitas a eventos literários podem ser uma forma de construir uma cultura de leitura sólida e duradoura.
Além disso, é importante que a formação docente também inclua estratégias de incentivo à leitura, para que professores possam orientar e motivar seus alunos a se envolverem com os textos de forma crítica e engajada.
Conclusão: O papel da leitura na transformação social
Ao analisarmos o caso do ENEM 2025 e a questão referente ao cartaz da Bienal do Livro, somos levados a refletir não só sobre a importância da leitura, mas também sobre o papel que ela desempenha na sociedade. A leitura é um meio poderoso de transformação; dentro dela, encontramos não apenas histórias e narrativas, mas também novas formas de pensar e perceber o mundo ao nosso redor.
Iniciativas como a Bienal do Livro são cruciais, pois promovem o intercâmbio cultural e despertam o interesse pela literatura. O desafio, no entanto, é levar essa mensagem para dentro das salas de aula e criar um ambiente onde a leitura e a análise crítica sejam prioridades, permitindo que os alunos não apenas se tornem leitores, mas também pensadores autônomos e criativos.
Portanto, que possamos não apenas entrar como Fernando, mas sair como Pessoa — indivíduos transformados pela experiência da leitura, capazes de questionar, interpretar e criar um futuro mais consciente e crítico.
