Você já parou para pensar em como os vídeos que assistimos diariamente podem moldar a forma como aprendemos? No mundo atual, onde as crianças e adolescentes estão constantemente cercados por telas e informações, a imersão em conteúdos audiovisuais representa uma transformação significativa na maneira como absorvemos conhecimento. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 revelou dados fascinantes sobre o uso e impacto dos vídeos entre os jovens de 9 a 17 anos, e é preciso refletir sobre as implicações dessa realidade.

A Prevalência do Conteúdo Audiovisual

De acordo com a pesquisa, 46% dos usuários de 9 a 17 anos assistem a vídeos de influenciadores digitais várias vezes ao dia. Essa preferência crescente por vídeos ao invés de textos longos pode ser atribuição à natureza dinâmica e atrativa do formato. Entre os principais tipos de vídeos consumidos, destacam-se unboxing (66%), tutoriais (65%) e apresentações de produtos (61%). Essa preferência não é meramente um fator de entretenimento; ela representa uma nova forma de aprendizagem, onde informação e a experiência se entrelaçam.

Os vídeos oferecem uma maneira distinta de aprender, utilizando demonstrações visuais que podem facilitar a compreensão, especialmente em contrapartida ao texto puro. As crianças que assistem a vídeos explicativos ou educacionais muitas vezes conseguem reter informações mais efetivamente, pois o conteúdo se torna mais acessível e menos intimidador. Essa mediatização do conhecimento levanta questões sobre a eficácia no aprendizado e a habilidade crítica dos jovens consumidores dessa mídia.

Publicidade e Influência nos Comportamentos

Uma das consequências mais preocupantes da intensa exposição a redes sociais e vídeos é a constante presença de publicidade. A pesquisa indicou que 51% dos jovens pediu produtos após ver propaganda. Isso não apenas reflete a eficácia das estratégias de marketing digital, mas também sugere uma nova abordagem sobre como os jovens percebem e interagem com a informação.

As preferências entre meninos e meninas revelam ainda mais desigualdade em como a publicidade impacta comportamentos. Enquanto meninas mostram maior interesse por produtos escolares, meninos tendem a se direcionar para jogos e videogames, criando uma dicotomia nas necessidades e desejos que pode se estender aos aspectos educacionais e da autoimagem. Esse dilema nos leva a questionar: como as marcas estão moldando as aspirações de um público tão jovem e impressionável?

Com o crescimento de plataformas que promovem conteúdo gerado por usuários, como TikTok e Instagram, os jovens estão cada vez mais expostos a influenciadores que não apenas entretêm, mas também educam e persuadem seus seguidores. Essa mudança representa um novo modelo de aprendizado que combina diversão e informação, mas também levanta preocupações sobre a exposição excessiva e suas consequências para o desenvolvimento da autonomia crítica dessa geração.

A Integração da Inteligência Artificial nas Atividades diárias

Outro aspecto interessante da pesquisa foi o uso crescente de inteligência artificial (IA) generativa entre os jovens. Com 65% dos usuários de 9 a 17 anos utilizando essa tecnologia para diversas finalidades, desde pesquisas escolares até criação de conteúdo, torna-se evidente que a IA está se tornando uma ferramenta essencial no cotidiano dos adolescentes.

O uso da IA pode ser visto como um extensivo suporte educacional. Ao ajudar estudantes a pesquisar temas complexos ou a produzir conteúdos criativos, ela não apenas potencializa o aprendizado mas também foca na personalização da experiência educacional. Porém, o acesso desigual a essas tecnologias pode acentuar ainda mais a brecha educacional existente.

A crescente dependência da IA também traz consigo questões éticas: como ensinar jovens a discernir entre informações fontes e verdades absolutas? É crucial que educadores e pais se envolvam em discussões sobre o uso responsável dessas tecnologias, estabelecendo um ambiente de aprendizado equilibrado e crítico.

A Conclusão da Nova Era de Aprendizagem

À medida que o acesso à internet e tecnologias avança, o desafio das instituições educacionais se intensifica. O modelo tradicional de ensino muitas vezes não se conecta com o que os jovens já conhecem e gostam: vídeos curtos e impactantes. Esse novo cenário educativo exige que educadores integrem essas ferramentas no currículo escolar, proporcionando maior engajamento e relevância ao conteúdo ensinado.

Um exemplo pode ser observado nas aulas que usam vídeos educativos como ferramenta central: esses recursos não só despertam o interesse dos alunos, mas também promovem uma aprendizagem ativa e colaborativa. A utilização de vídeos como parte da metodologia de ensino pode fortalecer a capacidade dos estudantes de se tornarem aprendizes autônomos e críticos.

Contudo, cabe também aos educadores abordar os riscos associados a essa nova era de aprendizado, orientando os alunos a serem consumidores críticos de informação, capazes de analisar e questionar o que consomem online. A educação deve ir além da simples transmissão de conteúdo, promovendo uma reflexão sobre como as mídias digitais e a tecnologia impactam nossas vidas.

Por fim, a análise da interação de jovens com conteúdo digital destaca a necessidade urgente de um diálogo sobre a educação do século XXI. O desenvolvimento de habilidades críticas e analíticas deve ser uma prioridade nas escolas, preparando as gerações futuras para um mundo cada vez mais mediado por tecnologia e informação. Como sociedade, precisamos nos perguntar: estamos realmente capacitando nossos jovens para utilizar essas ferramentas de forma responsável e eficaz?