Quantas pessoas ao seu redor não tiveram a oportunidade de concluir a educação básica na idade correta? Esse fenômeno, mais comum do que pensamos, não afeta apenas os indivíduos, mas reverbera em toda a sociedade, limitando o potencial de transformação social. A iniciativa da Fundação Bradesco, ao retomar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 2026, é uma resposta a essa realidade, mas também uma oportunidade de refletirmos sobre a importância da educação inclusiva e continuada.
A Nova Proposta da EJA: Inclusividade e Respeito às Vivências
Desde 1985, a Fundação Bradesco vem atuando na formação de pessoas que não puderam concluir seus estudos adequadamente. A reestruturação da EJA em 2024, com a perspectiva de retorno em 2026, reconhece que a educação deve evoluir e adaptar-se às necessidades reais dos indivíduos. A escuta ativa das comunidades envolvidas é um dos pilares dessa nova proposta pedagógica, refletindo um compromisso verdadeiro com a inclusão.
Fernando Frochtengarten, líder de Educação Continuada da Fundação, enfatiza que a nova EJA foi cuidadosamente planejada a fim de dialogar com as transformações sociais e econômicas nas comunidades atendidas. Essa abordagem é fundamental, pois compreender o contexto de vida dos alunos permite que a educação não seja apenas um direito, mas um espaço seguro de acolhimento e diálogo.
A proposta da EJA não se limita a oferecer conteúdos acadêmicos, mas envolve também a valorização das experiências e conhecimentos prévios dos estudantes. Essa valorização é crucial para garantir que o aprendizado seja significativo e adaptado à realidade de quem, por alguma razão, não conseguiu concluir os estudos na idade apropriada.
Uma das questões que a reestruturação da EJA busca abordar é o equilíbrio entre trabalho, vida pessoal e estudos. Muitos alunos têm múltiplas responsabilidades, e um modelo de educação que considera esses desafios é vital para garantir a permanência e o sucesso dos estudantes. O novo formato da EJA promete atender a essas demandas, possibilitando uma flexibilidade que considera a realidade de vida dos estudantes adultos.
- Flexibilidade nos horários: Aulas que se adaptam à rotina dos alunos.
- Conteúdo relevante: Materiais que dialogam com as experiências de vida dos estudantes.
- Apoio emocional: Espaços para o compartilhamento de vivências e aprendizado coletivo.
- Valorização da experiência: Reconhecimento dos saberes adquiridos fora do ambiente escolar.
O Impacto da EJA na Transformação Social
Com base no Censo demográfico de 2022, mais de 72 milhões de brasileiros acima de 18 anos estão sem a conclusão do ensino básico. Essa realidade é alarmante, pois cada um desses indivíduos carrega consigo uma história, potencial e sonhos que ficam comprometidos pela falta de educação. O papel da EJA, portanto, vai além da formação acadêmica; trata-se de um movimento para mudar vidas.
A EJA tem o poder de transformar não apenas os alunos, mas também as comunidades. Ao oferecer educação, estamos contribuindo para o empoderamento individual e a promoção de equidade social. Cada aluno que se forma traz consigo um novo conjunto de habilidades e conhecimentos que podem impactar positivamente seu entorno, criando um efeito cascata que beneficia a todos.
Além disso, a inclusão educacional é um dos mais potentes instrumentos de transformação social. A educação melhora a qualidade de vida, aumenta as oportunidades de emprego e reduz as desigualdades sociais. Ao se comprometer com a educação de jovens e adultos, a Fundação Bradesco reafirma sua missão de transformar vidas através da educação.
É vital reconhecer que a educação não é apenas uma ferramenta de ascensão social, mas também um direito humano fundamental. O acesso à EJA pode ser a chave para garantir que todos tenham a chance de construir um futuro melhor, independente das circunstâncias que os levaram a deixar a escola no passado.
Esse compromisso renovado com a educação de jovens e adultos também é uma resposta às rápidas transformações sociais e tecnológicas que estamos vivenciando. A educação deve estar sempre alinhada com as necessidades do mercado de trabalho e as demandas sociais. Por isso, a EJA precisa incorporar novas metodologias e conteúdos que preparem os alunos não apenas para passar em exames, mas para serem cidadãos ativos e produtivos na sociedade.
Reflexões Finais: O Caminho a Seguir
A Educação de Jovens e Adultos da Fundação Bradesco é uma oportunidade única para repensar como tratamos a educação inclusiva em nosso país. Ao valorizar as histórias e realidades dos alunos, essa nova proposta pedagógica pode se tornar um modelo a ser seguido por outras instituições.
As transformações sociais que desejamos ver no Brasil passam, sem dúvida, por uma educação de qualidade. A EJA não deve ser vista apenas como uma alternativa, mas como uma peça central de políticas públicas que buscam garantir o acesso universal à educação em todas as fases da vida.
Portanto, é crucial que a sociedade civil, as empresas e o governo trabalhem juntos para apoiar iniciativas que promovam a educação de jovens e adultos. Cada investimento nesta área é um investimento no futuro do país, no fortalecimento da cidadania e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Se a educação é realmente a base para a transformação social, então a EJA deve ser uma prioridade nas agendas públicas, com cada vez mais iniciativas que visem não apenas a inclusão, mas a verdadeira transformação de vidas.
