No universo do empreendedorismo social, como uma juventude amazônica pode não apenas transformar sua realidade local, mas também brilhar em palcos internacionais? O Time Enactus da Universidade Federal do Pará (UFPA) provou que a criatividade, a determinação e a colaboração podem se traduzir em ações concretas que impactam a vida de muitas pessoas. Este fenômeno não é apenas um exemplo de sucesso individual, mas representa uma mudança de paradigma sobre como vemos o potencial de transformação social nas comunidades periféricas da Amazônia.

A Enactus e o seu Papel na Formação de Líderes

A Enactus, uma rede internacional presente em 33 países, é mais do que apenas uma plataforma de competições. Desde a sua fundação em 1975, ela tem se dedicado a empoderar estudantes através do empreendedorismo social. A proposta é inteirar os jovens em iniciativas que ligam negócios sustentáveis a necessidades sociais, criando um ciclo virtuoso de aprendizado e desenvolvimento.

O âmbito da Enactus vai além da formação acadêmica tradicional. Estudantes não apenas aprendem sobre negócios e estratégias de mercado, mas também sobre a importância de serem agentes de mudança. No caso do Time Enactus da UFPA, a participação no Campeonato Mundial em Bangkok, programado para setembro de 2025, é mais um passo nessa jornada de aprendizado e contribuição social.

Os projetos desenvolvidos pela equipe da UFPA, como o Aruanas e o Biolume, mostram como é possível combinar práticas de negócios com um forte compromisso social. O Aruanas, por exemplo, busca promover a bioeconomia e garantir uma compra justa para agricultores familiares, enquanto o Biolume se dedica a levar energia elétrica de qualidade para comunidades ainda marginalizadas. Esses exemplos não são apenas iniciativas isoladas; eles são a resposta a um contexto social mais amplo, onde a inclusão e a sustentabilidade são urgentemente necessárias.

A presença da UFPA no ENEB (Evento Nacional Enactus Brasil) de julho de 2023, onde conquistaram o título de campeões, reforça a relevância do seu trabalho. Esta é a primeira vez que a equipe do Norte do Brasil conseguiu tal feito, evidenciando que a inovação e o potencial de empreendedorismo social estão enraizados nas riquezas e desafios da Amazônia.

Durante o ENEB, estudantes de várias regiões do Brasil se reuniram para compartilhar experiências, trocar ideias e debater soluções para problemas sociais. Este ambiente colaborativo não só legitima a atuação de cada equipe, mas também potencializa o aprendizado conjunto, enfatizando a necessidade de um diálogo aberto e contínuo sobre desenvolvimento sustentável.

Impacto Social: Além do Reconhecimento

O impacto das ações da Enactus vai além dos prêmios e das competições. Ao atrair a atenção para questões sociais locais e globais, como a desigualdade e o acesso à educação e aos recursos, iniciativas como o Biolume e o Aruanas demonstram como o empreendedorismo social pode ser uma resposta criativa e eficaz a problemas arraigados. Estas iniciativas estão criando um legado que pode ser reverberado através das próximas gerações.

O Biolume, especificamente, destaca-se não apenas por fornecer energia elétrica de qualidade, mas por criar um modelo de negócio que pode ser replicado em outras comunidades e contextos. A energia é um dos pilares para o desenvolvimento de qualquer área. A falta de acesso a ela limita o progresso em várias frentes, incluindo educação e saúde. Portanto, soluções inovadoras em energia como a do Biolume têm um impacto transformador.

Além disso, o projeto Aruanas atua de forma a integrar práticas de agricultura sustentável com a justiça social. Ao garantir que os agricultores familiares tenham um preço justo por seus produtos, a Enactus UFPA não está apenas lutando pela justiça econômica, mas promovendo um modelo de desenvolvimento que preserva o meio ambiente e apoia os que estão em situações vulneráveis.

Esses projetos mostram que o engajamento das comunidades é fundamental. Os jovens líderes da UFPA ensinam que a verdadeira liderança não é apenas sobre liderança em si, mas sobre elevar as vozes daqueles que muitas vezes não são ouvidos e criar oportunidades para um futuro mais justo e sustentável. A integração de conhecimentos acadêmicos com necessidades locais é uma alternativa poderosa para a inovação social.

O comprometimento da equipe também reflete em sua mobilização para obter apoio financeiro e doações para a sua participação no Campeonato Mundial. Esta “Missão Tailândia” não é apenas sobre representar o Brasil, mas é uma afirmação do potencial amazônico no cenário global. Cada apoio recebido é um passo a mais rumo a um futuro onde as soluções para os desafios de hoje podem vir de qualquer lugar, até mesmo da Amazônia.

Reflexões Finais: O Que o Futuro Reserva?

A atuação da Enactus na Amazônia é um convite à reflexão para educadores, formuladores de políticas e a sociedade civil. Como podemos apoiar mais projetos que não apenas incentivem a educação, mas também promovam a inclusão e o desenvolvimento social? A resposta pode estar na promoção de espaços que deem visibilidade e voz para esses jovens líderes. É fundamental que as iniciativas de empreendedorismo social sejam reconhecidas e apoiadas como uma parte vital das estratégias de desenvolvimento regional.

Além disso, com o fim das operações de algumas instituições de apoio, como a Enactus Global, os novos modelos de colaboração devem ser criados. Como podemos garantir que os jovens não percam a oportunidade de se conectar e aprender em um cenário global? O futuro do empreendedorismo social dependerá da capacidade de reinventar e adapitar as redes de apoio ao novo contexto econômico e social.

A jornada do Time Enactus da UFPA é um exemplo inspirador que nos lembra do que é possível quando se tem determinação, criatividade e uma rede de apoio sólida. Eles não apenas concorrem a um prêmio; estão inspirando uma nova geração de líderes que poderão romper ciclos de desigualdade e desenvolver soluções inovadoras para questões sociais.

Por fim, temos que considerar que, se a juventude está capacitada para transformar realidades, precisamos criar as condições necessárias para que essa transformação ocorra. É tarefa de todos nós apoiar e nutrir a capacidade desses jovens em se tornarem líderes em suas comunidades e, quem sabe, em todo o mundo.